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Declarou-se uma guerra entre França e Portugal; |
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convidaram conde Flores p`ra capitão-general. |
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--Por quantos anos vais, conde, conde, por quantos vais? |
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--Vou por sete, minha condessa, vou por sete, nada mais; |
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se òs oito não vier condessa, podes casar.-- |
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Já os oito eram passados e os nove iam a andar. |
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Uma manhã de Páscoa o pai a mandara chamar. |
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--Que me quereis, meu pai, meu pai, que me quereis dar? |
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--Nada te quero dar, filha; se te queres casar? |
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--Não, por certo, meu pai, não, por certo, em verdade, |
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que me deu na cabeça que é vivo o conde Dom Blás. |
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Deite-me a sua benção, que o quero ir procurar. |
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--A minha benção te deito, mais a soledade (?); |
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vai a tua mãe que ta deite, a ver se vale mais.-- |
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Foi-se para sua casa, saltou a desnudar-se. |
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Vestiu-se de peregrina e foi-se a peregrinar. |
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Sete anos andou por terra e outros sete no mar. |
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À entrada de Barcelones se pusera a merendar; |
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viu vir um rapazito c` uns cavalos a passear. |
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--Dize-me aqui, ó rapazito, não me negues a verdade: |
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de quem são esses cavalos, que os conheço por sinal? |
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--Esses cavalos, senhora, são do conde Dom Blás; |
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hoje se alegram as bodas, e amanhã se vai casar. |
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--Pois dize-me aqui, ó rapazito, não me negues a verdade: |
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onde mora esse senhor, onde mora, onde está?-- |
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Indo toda a rua adiante não lhe pudera falar. |
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Sete voltas ao palácio sem olhar por onde entrar; |
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ao cabo de sete voltas numa ventana o viu estar. |
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--Dai-me uma esmola, bom conde, dai-me, por necessidade! |
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--Pois perdoa, peregrina, que não tenho que te dar. |
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--Algum dia, bom conde, algumas tinhas que me dar. |
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--Pois donde é a peregrina, de que terra, ou de que cidade? |
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--Sou de França, meu senhor, um pouquito mais acá. |
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--Dize-me, ó peregrina, que se conta por aí lá? |
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--Por aí lá nada se conta. Senhor conde Dom Blás |
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deixou sua mulher só, sua mulher o anda a buscar.-- |
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Mete a mão ao seu bolso, um real de ouro lhe dá. |
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Ela prometeu ao seu, levantar o benairá. |
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--Esse vrilá era meu, me custou uno siodá. |
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--Como pode ser, senhor conde, como pode ser verdade? |
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Deu-mo meu marido quando nos fomos casar. |
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--Fique com Deus o palácio e a gente que nele está, |
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e Aninhas fica borrada [. . . . . . . . . . . .] |
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de abraços e beijinhos; não a posso remediar. |
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Se minha mulher fosse má, não na vinha procurar.-- |