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Vozes dava o marinheiro, vozes dá que se afundava. |
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Respondeu-lhe o mau demónio das outras bandas da água: |
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--Quanto deras, marinheiro, quem da água te tirara? |
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--Dera-te o meu navio, ou de ouro ou de prata. |
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--Não te quero o teu navio, nem d` ouro nem de prata; |
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só quero que, em tu morrendo, me deixes a tua alma. |
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--Eu te arrenego, mau demónio, a ti e à tua palavra: |
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minha alma deixo-a a Deus e mais à Virgem Sagrada; |
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meu corpo deixo aos peixes que andam na água salgada; |
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a cabeça deixo às formigas que nela façam morada; |
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meus braços deixo aos cotos para manejar a espada; |
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minhas tripas deixo aos cegos, para cordas de guitarra; |
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as pernas deixo aos coxos, que nelas façam jornada; |
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os meus colhões deixo ao cura, e o resto à criada.-- |
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