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Vindo um lavrador da lavra, encontrou um pobrezinho; |
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pobrezinho lhe pediu se o deixava ir no carrinho. |
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Deu-lhe a mão o lavrador e no seu carro o metia; |
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levou-o para a sua casa, p`r`à melhor sala que tinha. |
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Mandou-lhe fazer a ceia do melhor manjar que havia; |
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sentou-o na sua mesa, mas o pobrezinho não comia: |
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as lágrimas eram tantas, que pela mesa corriam; |
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os suspiros eram tantos, que até a mesa estremecia. |
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mandou-lhe fazer a cama da melhor roupa que tinha: |
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por cima damasco roxo, por baixo cambraia fina. |
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Quando era meia-noite, o pobrezinho gemia; |
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levantou-se o lavrador p`ra ver o que o pobre tinha. |
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Deu-lhe o coração um baque, como ele não ficaria! |
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Achou-o crucificado numa cruz de prata fina. |
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--Meu Jesus, se eu soubera que em minha casa vos tinha, |
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mandava fazer preparos do melhor que encontraria. |
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--Cala lá, ó lavrador, não fales com fantasia; |
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no céu te tenho guardada cadeira de prata fina, |
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tua mulher a teu lado, que também o merecia.-- |