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*Quem quiser viver alegre não busque companha minha, |
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que me pariu minha mãe em uma escura montinha. |
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Encontrou-me um ermitão, levou-me p`ra sua ermida; |
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sete anos me deu leite duma leoa parida, |
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outros sete me deu pão do que rendia a ermida. |
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Sete e sete são catorze e ele em sua companhia; |
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ò cabo dos catorze anos `terminou mandá-lo à vida. |
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Mandara-o à lenha e disse-lhe que não ia, |
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mandara-o à fonte, disse-lhe que não podia. |
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--Sete anos te dei leite duma leoa parida, |
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sete anos te dei pão do que rendia a ermida; |
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sete e sete são catorze, já podeis ganhar a vida.-- |
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Entregou-me armas e cavalo e mandou-me serra acima. |
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--Por `qui se vai p`ra Granada, por `qui se vai p`ra Sevilha; |
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por `qui se vai a tua terra, por `qui se vai p`r`à minha.-- |
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Encontrei uma donzela, encontrei uma menina, |
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encontrei-me com os mouros, puseram-me guerra viva. |
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Quatrocentos lhe matei, outros tantos lhe ferira; |
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prenderam-me e levaram-me p`ra a maior prisão que havia. |
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Sete anos estive nela, `inda hoje lá estaria, |
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se não fôra a boa gente que naquela terra havia. |