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Em França havia um castelo, à conta do rei se fez;
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o rei tinha uma filha chamada D. Inês.
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O rei não a queria dar nem a conde nem a marquês,
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nem por todo o dinheiro que se contasse num mês.
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De bordo veio um marujo negócios fazer à terra;
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furtou a D. Inês pelo lado da janela.
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Indo pela serra além, sentaro-se a descansar;
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olhou p`r`à D. Inês, vê-la disposta a chorar.
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--Tu que tens, D. Inês, que `tás disposta a chorar?
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Se tu choras por pai ò mãe, já nã nos tornas a vere,
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e se choras por teus irmãos, já os matei todos três.
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--Nã choro por pai nem mãe, nem por irmãos todos três;
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choro pela infeliz sorte que causast` à D. Inês.
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Mas deixa-me ver o teu punhal d` ouro, s` é de conde ou de marquês;
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eu quero tirar bolas d` oiro, que foi o que mê pai me fez.--
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E ele como um toleirão o punhal d` ouro l` emprestou;
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ela coma resaluta no peito lo encravou.
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--Vou-m` agora p`ra o palácio ser do papai outra vez.--
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Isto é qu` está a história que conta a D. Inês.
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