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Lá cima, naquela serra, está uma linda ermida.
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Devota de Nossa Senhora, que se chamava Maria,
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cada vez que amanhecia um rosário oferecia.
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Uma vizinha da porta testemunhos lhe erguia:
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que andava de amores c` um sacerdote da missa.
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O sacerdote agastado, ela paixão não na tinha.
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Veio o marido de fora. --Boa seja a tua vinda,
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que te quero perguntar que vai lá por essa vila.
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--Que te confesses, mulher, que te hei-de tirar a vida.
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--Quer me mates, quer me deixes, eu confessar-me queria.
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Marido, se me matares, enterra-me na ermida,
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aos pés de Nossa Senhora, Rainha Santa Maria.--
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La pejada de oito meses, já para os nove corria;
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lá no fim dos nove meses um lindo cantar se ouvia.
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Foram vê la sepultura, acharam-na lá parida
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c` u~a menina nos braços que le chamavam Maria.
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Padrinhos foram nos anjos, madrinha, a Virgem Maria.
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--Aqui venho que me perdoes, serva da Virgem Maria.
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--Como t` hei-de perdoar, s` a tua alma está perdida?
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A minha está na glória, dos anjos bem assistida;
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a tua está no inferno mais a da tua vizinha.--
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