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Era pelo mês d` Abril, de Maio antes um dia,
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quando a bela infanta já da frota se espedia.
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Fora ao jardim de seu pai, ela chorava e dizia:
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--Fica-te embora, mil flores, meus jardins d` água fria,
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qu` eu te não torno a ver senão hoje, neste dia.
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Se meu pai te perguntar, pelo bem que me queria,
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diz-lhe que o amor me leva, que me venceu uma porfia.
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Não sei p`ra onde me leva nem que ventura é a minha.--
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Respondeu D. Duardos, que escutava o que dizia:
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--Calai-vos, bela infanta, calai-vos, pérola minha!
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Em portos de Inglaterra mais claras águas havia,
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mais jardins e arvoredos para vossa senhoria.
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Também isto quero, donzela, para vossa companhia.--
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Chegados são às galeras que D. Duardos trazia;
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a mar lhe catava honra e as ondas cortesia.
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Ao doce remar dos remos a menina adormecia
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no colo do seu amor, pois assim lhe convencia.
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