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Er` uma vez um macaco, fazê-la barb` introu
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numa tenda dum barbeiro que lo rabo lhe cortou.
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Lo macaco, por desforra, uma navalha furtou;
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fugindo logo dali, pera longe caminhou.
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Foi ele mais adiante, uma velha incontrou
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que à unha escamava las sardinhas que comprou.
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E à velha das sardinhas la navalha lh` emprestou,
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mas la mofina da velha dar la navalha negou.
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Lo macaco, por desforra, uma sardinha furtou;
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fugindo logo dali, pera longe caminhou.
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Foi ele mais adiante, um moleiro incontrou,
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que sem conduto comia um pão seco que comprou.
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E la sardinha que tinha por farinha la trocou,
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mas lo mofino moleiro la farinha lhe negou.
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Lo macaco, por desforra, um saco dela furtou;
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fugindo logo dali, pera longe caminhou.
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Foi ele mais adiante, numa escola introu;
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muitas meninas lá `stavam, com fome todas achou.
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E à mestra das meninas la farinha imprestou,
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mas la mofina da mestra la farinha lhe negou.
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Lo macaco, por desforra, uma menina furtou;
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fugindo logo dali, pera longe caminhou.
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Foi ele mais adiante, lavadeira incontrou,
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que já cansada lavava camisa que nã sujou.
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E p`ra la ir ajudar la menina imprestou,
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mas la mofina mulher la menina lhe negou.
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Lo macaco, por desforra, uma camisa furtou;
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fugindo logo dali, pera longe caminhou.
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Foi ele mais adiante, violeiro incontrou,
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que, por pobre, sem camisa la semana trabalhou.
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E ao pobre violeiro la camisa imprestou,
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mas lo mofino do homem la camisa lhe negou.
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Lo macaco, por desforra, uma viola furtou;
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fugindo logo dali, pera longe caminhou.
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E sem ir mais adiante, alto telhado trepou;
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por bem fazer mal haver, já de todo se fartou.
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Pol`o que, de lá de riba, na sua viola tocou,
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e ao som da violinha desta maneira cantou:
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--De meu rabo fiz navalha, de navalha fiz sardinha,
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de camisa fiz viola.
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Ferrum-funfum, ferrum-funfum!
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Adeus, que me vou imbora.
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