| |
A infância das mulheres e para os homens cadeia: |
| 2 |
muitos perdem no sentido e o sangue das suas veias; |
| |
outros perdem na fazenda e a vida pelas mulheres. |
| 4 |
L` assucedeu a Lofernes no meio dos seus prazeres. |
| |
Eram general e chefe, o maior cabo de guerra, |
| 6 |
conquistador de Dutúrio, mas não pudo entrar nela. |
| |
Mandou-le secar as águas, cortadas de tal maneira; |
| 8 |
nem entrava nem pimento, nem a i-água da ribeira. |
| |
| (Isto é uma cidade. Mandou-le cortar as... Um governador) | |
| |
--Não quero a ninguém comigo, a ninguém desta cidade; |
| 10 |
só quero a minha criada, que me vai a acompanhar.-- |
| |
Com a pressa que levava passou pelo arraial. |
| 12 |
--Esta tenda qu` aqui levo, vou vendê-la ao general.-- |
| |
Logo a chegar à porta, para entrar pediu licença: |
| 14 |
--Eu queria ir a falar com a sua incelência.-- |
| |
Saia o seu secretário: --À porta está uma tendeira; |
| 16 |
traz cabelinhos dourados pela sua cabeleira. |
| |
--S`ela é uma tendeira, que entre já, sem mais demora; |
| 18 |
se a tendeira me agradar, comprarei-lh` a tenda toda. |
| |
Vós que quereis, minha senhora? Vós que vindes a pedir? |
| 20 |
--Que a cidade de Dutúrio não na queira destruir. |
| |
--Eu hei-de-a destruire e essa é a minha tenção. |
| 22 |
eu hei-de-lhe deitar fogo e queimar os que lá estão. |
| |
Amanhãpor estas horas arderão os que lá estão.-- |
| 24 |
Desque era tão bonitinha, palpita-le o coração. |
| |
--Olhe lá, minha senhora, se quer ser minha mulher? |
| 26 |
Que d` hoje para amanhã, algum remédio há-d` haver. |
| |
--Quero ser, sim, meu senhore, mas ouça o qu` eu lhe digo: |
| 28 |
Eu acostumo gritar quando dorme alguém comigo. |
| |
Tenho medo aos seus soldados, que me deiam algum castigo. |
| 30 |
--Os meus soldados, Judite, eu os mando avisar: |
| |
Que ninguém se alevante, por bem que ouçam gritar. |
| 32 |
Mandou fazer um banquete p`r` aquela noite cear; |
| |
ela não queria comer, já só queria descansar. |
| 34 |
--Vá-se o senhor a deitar, que eu irei lá ter consigo. |
| |
Ele ia tão torpe, ia tão cheio de vinho; |
| 36 |
deitou-se na sua cama, deixou perder o sentido. |
| |
Judite, dali varada da lida da ocasião, |
| 38 |
cortou cabeça a Loferne: Roncava como um leitão. |
| |
Saiu pela porta fora sem ninguém a conturbar; |
| 40 |
levava no avental as postas do general. |
| |
| (Levava a cabeça. E quando chegou à entrada da cidade, já estava todo o mundo ali à espera dela, a ver si vinha Judite. Veio, e foi depois uma grande alegria. Matou-o, mataram-no, e já não, já não queimou a cidade. | |