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Por uma estrada fora um fradinho vem a andar, |
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ao seu bordão encostado, pobrinho e a mendigar. |
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Tem os olhos encovados, mas não os tem de pecar; |
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tem a cara adormecida, mas não a tem de brincar. |
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Mas apenas só a tem de se ele mortificar. |
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O pão lhe dão nas pousadas, água a fonte lhe há-de dar. |
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Nisto encontra em seu caminho pobre mulher a chorar. |
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--O que tens, pobre mulher? --Meu homem quer-me matar |
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porque sou vossa devota, porque vos quero adorar. |
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--Que vos fez o vosso homem? --Veio-me os braços quebrar. |
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--E que ele mais vos fez? --Pôde-me descostelar. |
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--Ainda mais alguma coisa? --Veio os dentes me arrincar.-- |
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Tudo o fradinho pedinte pôs então no seu lugar. |
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A mulher ficou a rir e o marido a chorar, |
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e caíram de giolhos os que ali eram a olhar. |
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Quanto pode Santo António se lhe dá p`ra milagrar! |
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Ó mulheres que levais tais pauladas a fartar, |
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quando fordes tão batidas, não tendes mais que chamar |
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o bom do Sant` Antoninho para ele vos consertar. |