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****La mulher mai lo marido a dormir já `stão deitados |
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quando, pola noite velha, ouvem andar nos telhados. |
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--Ai, mulher, isto que é? --Serão almas de finados |
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que andam aqui penando à conta de seus pecados.-- |
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Mas quem de verdade foi, foi Frei José Sem-Cuidados |
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que, como por barra livre, vinh` entrar polos eirados. |
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--Ai, mulher, que medo tenho destas almas dos penados! |
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--Eu las vou afugentar com meus responsos rezados: |
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ó almas do outro mundo, que vindes remir pecados, |
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meu marido está em casa, vossos passos são baldados.-- |
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Palavras não eram ditas, já Frei José Sem-Cuidados |
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dando de popa no vento los deixou assossegados. |