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Esta manhã fui à caça, lindo canário agarrei; |
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fui levá-lo de presente à filha do nosso rei. |
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A filha do nosso rei, como é rica e brasileira, |
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mandou fazer-lhe a gaiola da mais bonita madeira. |
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Depois da gaiola feita, meteu o canário dentro, |
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e quer de noite, quer de dia, era o seu devertimento. |
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O canário saiu fora, teve uma constipação; |
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foi-se chamar uma junta de vinte e um cirurgião. |
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Os cirurgiões eram velhos do tempo dos afonsinhos; |
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traziam calção e meia, fivela nos sapatinhos. |
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Lá vem o senhor doutor com a lanceta na mão, |
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p`ra lancetar o canário na veia do coração. |
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À primeira lancetada, `inda o canário sofreu; |
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à segunda e à terceira bateu as asas, morreu. |