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Havia um rei que tinha três filhos e a coroa tinha de dar; |
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não sabia s` ao mais velho, s` ò mais moço ia chegar. |
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--Caminhie todos, meus filhos, vão pelo campo adiante, |
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p`a ver s` encontram no campo a flor do Liolá. |
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Aquele que a encontrar, a coroa vem a herdar.-- |
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Foram-s` embora os irmãos p`à flor ir procurar; |
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o mais moço a encontrou, p`a trás voltou a gritar: |
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--Sou eu que vou ser o rei. --Que nova tu me vens dar!-- |
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dizia o irmão mais velho. --Eu tenho que te matar.-- |
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Então matou o irmão, num beiral o foi enterrar, |
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entre raízes de canas, para depois espigar. |
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O pastor um dia foi para as vacas ir tratar; |
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cortou um nó de cana p`a começar a tocar. |
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Então cantava esta música: --Canta, canta, meu pastor, |
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[. . . . . . . . . . . .] não te canses de tocar, |
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que meus irmãos me enterraram por a flor do Liolá.-- |